terça-feira, 11 de dezembro de 2012

A Primeira Vez

                                     A Primeira Vez

     Acreditamos que a  primeira vez é sempre importante e não se esquece jamais.
     Evidentemente tem relação com o que está se passando na cabeça de cada um e com razão.
     Mas comparações à parte, a primeira velejada, além de não se conseguir esquecer, ainda vale perpetuá-la nesta narração.
     Pois tudo começou quando comecei a navegar numa lancha Cassarino de 14 pés, Escorpião I, que tinha como porto o Grupo de Escoteiros do Mar Almirante Abreu.
      Esta lancha tinha um motor de 60 HP, que consumia minhas economias, (como dizia o Medeiros, do veleiro Lumar) que nem amante argentina.
     Na época o João Abraão, também sócio do GEMAA tinha um vaqueiro 16, chamado Patinho e um Guanabara 24, chamado Abraão. Além de me oferecer a venda do Patinho, enaltecia a arte de velejar. Como tinha poucos recursos e temia não ser o  que eu queria, acabei comprando um O'Day 12, de nome Diamante.
   Um dia, o João Abraão saiu comigo, à tarde, para me ensinar a pilotar o Diamante. Saimos rizados, pois o vento era um pouco forte, o João não tinha grande traquejo com veleiros tão pequenos.
     Ensinou-me que a cana do leme ia para um lado, e a direção do barco ia para o outro. Enfim, presenciei tudo que ele fazia.
    O vento havia amainado um pouco, de volta ao trapiche,resolvemos retirar o rizo e aí o Escoteiro Guilherme embarcou. Depois de uns 30 minutos, numa cambada, recebemos uma rajada mais forte e o João e o Guilherme foram para o bordo a barlavento e eu, na minha inexperiência, fiquei no bordo, agora a sotavento. O que se esperava com isso? Viramos.
     Para desvirar, todo mundo sabe como. Por estarmos com água há a uma altura de uns 80 cm, foi bastante fácil desvirar o barco, mesmo tendo que subir na bolina.
     Desvirado o barco, voltamos para o trapiche, recolocamô-lo na carreta de encalhe e o guardamos.
     O João prontificou-se de no dia seguinte, sairmos novamente, quando ele me daria o leme para pilotar o Diamante. Marcamos para sair às 14:00 hs.
      No dia seguinte, em torno do meio-dia, arrumei o barco e o coloquei n'água, sem esperar pelo João. O vento era de bochecha de boreste. Estava tudo bem até a hora de bordejar, para retornar. Vira o leme, solta a escota, passa para a borda contrária e pronto: o barco vira! Acho até que quis bordejar com um jaib. Volto à tona, com um monte de cabos boiados, enroscados no pescoço. Livro-me deles e subo na bolina e o barco desvira. Por sorte, deveria estar aproado senão, ao desvirar, poderia inflar as velas e me deixar flutuando confortavelmente em meu salva-vidas!
     Após subir, no Diamante, cacei as escotas da genoa e mestra e rumamos de vento de bochecha de boreste, até à costa da Ilha da Pólvora. Quando o leme (pivotante) começou a arrastar no fundo, desci do barco e o rumei agora com vento a bombordo. Subi nele a até a umas 2  milhas nessa direção, consegui pegar o jeito; leme pra cá, proa pra lá; folga a mestra, sai do vento; caça, aproa. Isso, evidentemente, como regra geral.
     Disto, resulta que consegui sozinho, sair e voltar ao porto, mesmo tendo feito meu primeiro bordejo "a mão" .
     Estava muito orgulhoso por me sentir um velejador, pois havia lido que o bom navegador, seja como for, sempre retorna ao porto de origem.
O'Day 12-Veleiro Diamante


Veleiro Patinho
     Boas histórias se sucedem com a aquisição do veleiro Patinho e veleiro Macanudo.
     Quem tiver pressa para "curtir" esses relatos, pode acessar o youtube citando apenas veleiro patinho, ou veleiro Macanudo que surgirão alguns vídeos de nossos passeios.
      Para finalizar, citei que após a desvirada do barco, por sorte estava aproado.  Antes de desvirá-lo, devemos nos certificar se está aproado ou não. Se não estiver, e a escota da mestra no mordente, antes de se conseguir entrar nele, poderá pegar vento e nos tornar náufragos.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

                                 Entre Altos e Baixo

     O título parece a princípio fora do contexto do blog. Entretanto, no decorrer da narração ele irá se encaixando aos poucos.

     Carnaval de 2012, 18 de fevereiro, sábado, por volta dás 10:00 hs, zarpamos do Grupo de Escoteiros Almirante Abreu, Rio Grande, RS, rumo a Pelotas. Ficamos ao largo, velejando enquanto o veleiro Patinho, do Cmte. Daniel e o Aragano, do Cmte. João Abraão aprontavam-se para sair.      

      No Macanudo, estavam comigo, minha esposa, a Adriana e minha enteada, a Fernanda.

      Às 10:50 hs empreendemos nossa viagem. Ventos fracos do NE, atingindo 3,3 nós de velocidade média. O Daniel, orçando estava dentro do canal para Porto Alegre. O Macanudo em paralelo mais a bombordo do Patinho e o Aragano, navegando mais próximo à costa. Porisso, corria o risco de encalhar. O Aragano é um Delta 21, com bolina retrátil, porém, com bulbo.

     Não deu outra: o João teve que bordejar, em direção ao canal, justamente junto à boia 22, do Diamante.

       Eu e o Daniel jogamos ferro a uma profundidade segura e fomos ajudar a desencalhar o Aragano. Estava a uma profundidade de 40cm, aproximadamente. Tivemos bastante dificuldade em retirá-lo, deixando para trás, dois sulcos feitos na areia; um do bulbo e outro do motor, cuja ajuda não dispensamos.

                                                  momento após o desencalhe do Aragano

 

                                     João chegando com o vinho -ao fundo, o Aragano

 almoço às 14:56 horas. Ao fundo Daniel e Patinho
     

      Enquanto tratávamos da operação de desencalhe, a Adriana preparou e aprontou um camarão com abóbora e arroz branco que havia descascado enquanto velejávamos.  Aguardamos pela chegada do João, trazendo o vinho e pelo Daniel para começarmos a almoçar, já em torno dás 14 horas.  O Daniel não quis almoçar pois ficou apreensivo porque havia água dentro da gabine e ele não sabia por onde teria entrado.      

     Almoçamos, agora com pouca vontade. Às 15:00 hs o Daniel preferiu retornar a Rio Grande e o João o acompanhou. Nós seguimos para Pelotas.     Quando estávamos passando à boia 23, do Mosquito, surgiram rajadas fortes de vento SW, após uma viração brusca, inclusive de temperatura.

      Arriamos a mestra e genoa e motoramos em direção à costa da Ilha da Torotama, onde costeamos por umas 2 mn, até nos amarrarmos num pau de atracação para pernoitarmos. As condições nesse momento eram menos severas, mas por estarmos com a esposa e a enteada, optamos por descansar e prosseguir no outro dia.

       Nesse dia navegamos durante 6 horas e percorremos 17,6mn, com velocidade média de 3,2kt e pico de 6,2kt.

Arco-íris , duplo, após a viração de tempo

                    

                                Pôr-do-Sol na costa da Ilha da Torotama

     Dia 19, domingo, às 08:00 hs continuamos nossa viagem, ainda com vento do SW porém moderado.
      Assim, sem outros incidentes entramos no Arroio Pelotas, para que a Adriana e a Fernanda o conhecesse. Diga-se, a bem da verdade, que adoraram navegar no Arroio Pelotas, tanto pela paisagem quanto pela tranquilidade.

     Sem pararmos, retornamos ao Canal São Gonçalo e atracamos em uma prainha de areia que havíamos notado na ida, com o fito de almoçarmos. Quando nos preparávamos para um pequeno churrasco, eis que surgem o Aragano e o Patinho para nos fazer companhia no almoço. Em síntese, não chegaram a voltar para Rio Grande, pois em exame mais detalhado da infiltração na cabine do Patinho o Daniel concluiu que vinha de dentre o convés e o casco, quando as ondas passavam por sobre o convés. Portanto, nada de grave. Em sendo assim, resolveram pernoitar nas Capivaras e seguir viagem no outro dia para Pelotas.



                                                       Daniel, Macanudo e Aragano

       
      Almoçamos, com uma bela tarde de sol escaldante e pouco ar circulante. Logo em seguida, levantamos ferro e iniciamos nosso retorno a Rio Grande.
      Motoramos umas 12 mn, sem vento algum, tempo abafado, com um calor próximo a 37 graus, tendo que nos molharmos a todo instante. Nisso, o Daniel passa por mim e diz:- Tá levantando vento! Eu pensei: "que bom! afinal, vamos velejar." Icei a genoa e quando estava com a mestra já levantada, sem ainda ter mordido a adriça, o vento apareceu subitamente forte. Acredito que por volta de 40 kn. Arriei a genoa e a Adriana derreou-se na mestra, até à cabine e meta motor àvante, a toda aceleração! Avante, no contravento. Não esperávamos que o motor não avançaria. Muito pelo contrário: o Macanudo andava de ré. Por infeliz coincidência, nesse momento, passava pelo canal uma chata. O Macanudo, sendo arrastado pelo SW para dentro do canal e de encontro com a chata. Instintivamente, dei leme a BB, procurando num giro de 180 graus,  um bom andamento e continuar o giro mais uns 50 graus, de maneiro que recebia o vento de bochecha do BB. Assim, de forma pouco recomendável, saíamos do canal, pegando as ondas de bochecha e través, de certa forma a barlavento, em direção à costa, e consequentemente ao Saco do Silveira, onde havia mais calma. Tudo durou 50 minutos. A maior dificuldade encontrada foi minha esposa em , sentada em frente à gauita, agarrada a cabos próximos a ela, em pânico e penso que em estado de choque.  A Fernanda, dentro da cabine sem que eu soubesse como estava. Enquanto eu pilotava o Macanudo, que mais parecia um potro selvagem,  falava e dizia que estávamos próximos à costa, que faltavam 5 minutos para chegar, etc etc...

     Após os 50 minutos, o Macanudo encostou no fundo a bolina, que estava arriada uns 50 cm. Recolhi a bolina e joguei âncora, desligando o valente Johnson 3,3 hp!
     Tudo isso, acompanhado de chuva intensa.
A Adriana, ensopada, tremendo muito, a custo, consegui fazer com que descesse. Tirou a roupa molhada e enrolou-se num cobertor de lã, enquanto preperei um café bem quente.
     Rumamos para a costra da Ilha da Torotama, para pernoitar e por acaso, nos amarramos no mesmo pau em que tínhamos pernoitado no dia anterior.
     Graças a Deus, estávamos agora, com tudo sob controle. Restava saber, que haveria acontecido com o Patinho e o Aragano.
     Soubemos por pescadores, que tinham avistado dois veleiros fundeados, próximo ao canal, na direção NE. Nais tarde, antes do anoitecer, conseguimos divisar dois veleiros, próximos ao Saco do Silveira, fundeados.
     Foram percorridas 30,2 mn durante 8 horas, com velocidade média de 3,6kn e máxima de 6,2kn.
     Segunda-feira, acordamos cedo e motoramos em direção aos veleiros. Aos poucos fomos reconhecendo neles, o Patinho e o Aragano. Quando chegamos, o Daniel e o João preparavam-se para levantar âncoras, depois do café.
                                  Macanudo amarrado na popa do Patinho, depois do  temporal
        Simultaneamente ao que narramos, quando o temporal se apresentou, soubemos do João e do Daniel que diante da incapacidade dos motores dos barcos de  irem àvante, preferiram fundear ali mesmo e esperar que os ventos fortes passassem. Entretanto, o pior passou o João, pois jogou a âncora, de forma que o cabo veio a enredar-se com o bulbo da bolina, fazendo com que o barco ao invés de se aproar para o vento, postou-se de través.
    Ainda com vento SW, moderado, rumamos para Rio Grande, sem nenhum incidente que merecesse destaque.
     Nesse dia foram percorridas 13,8 mn em 5 horas e com velocidade média 2,9kn e 5,7kn instantâneos.

Daniel e o Patinho
 
João Abraão e o Aragano

 

    

 

 

 

 

 


quarta-feira, 3 de outubro de 2012

O Blog e o Grupo


                                            O Blog e o Grupo


     A arte de velejar, ora em decadência, associada aos Vikings e mais recentemente aos navegadores do século XV, a nosso ver, precisa ser divulgada, incentivada e nossos amigos e amigos dos amigos incitados a descobrir o segredo de se conseguir navegar “de encontro ao vento”, somando ainda a questão de modernidade do “ecologicamente correto” e/ou “energia limpa” e como se isso não bastasse, ainda é possível fazer a volta ao mundo com apenas um tanque de combustível!
     Está tão fora de moda, que não conseguimos legar o gosto de velejar aos nossos filhos,      perdendo-os para a navegação virtual!
     Desse suposto, acreditamos que é lícito quando se trata de divulgação em grupos congregadores dessa atividade, principalmente quando não se tem fins lucrativos.
Macanudo se aproximando da ponte ferroviária, em Pelotas, RS
    
No canal S.Gonçalo, Pelotas, RS
      Queremos expor nossas ideias sem no entanto ferir a ética, nem colidir com determinações, orientações , regras, normas e etc, de ninguém e muito menos provocar polêmica.
    Portanto, vamos adiante.
   Recebemos manifestação de moderador de grupo , admoestando-nos delicada e educadamente, por solicitar visita ao nosso blog através do sítio do grupo .
     Na nossa ingenuidade, achamos que o lugar para a divulgação do blog (que trata exclusivamente de assuntos relativos à vela e não pretendemos publicar nada que não seja correlato), seria adequado . Assim também fizemos no outro grupo de velejadores .
     Com mal estar já pedimos escusas ao grupo, e as estendemos ao grupo velejadores, se ferimos também seus preceitos.
     Continuamos achando estranho, que tenhamos arranhado algum ditame dos grupos, diante do inocente convite de visita ao blog posto que nossa precípua intenção é despertar atenção e termos novos adeptos sem visar fins lucrativos.
     Aos que tenham comparecido e consideraram que o blog não está de acordo com os preceitos de grupo, pedimos humildemente nossas desculpas. Aos que visitaram e não viram arranhões agradecemos por acreditarem nos nossos ideais. A todos, enfim, iteramos nossos sinceros agradecimentos.
     Aos que se mostraram contrários e não compareceram, dizer o quê?
     Seria o mesmo que dizer que não gosta de chuchu, sem nunca ter provado.
     Para encerrar somos do princípio que se nossa palavra tirar um viciado no tabaco e se conseguirmos um velejador a mais, ambas difíceis, consideraremos nossa tarefa cumprida... pelo menos por enquanto...
     Deixaremos por fim, claro, que não mais nos manifestaremos futuramente nos grupos e nem os citamos nominalmente  afim de evitarmos novos dissabores.






























          














domingo, 23 de setembro de 2012

VENDAVAL EM RIO GRANDE, RS

                             VENDAVAL EM RIO GRANDE, RS


     Nesta quarta-feira, dia 19 o dia amanheceu com ventos do NW com velocidade entre 30 e 40km/h na área de Rio Grande e São José do Norte, tendo aumentado de velocidade às 13:00 hr. aproximadamente e se intensificando no transcorrer da tarde, com registros acima de 100 km/h com boatos de maiores velocidades.
     À tarde, estive no Grupo de Escoteiros Almirante Abreu, ancoradouro do Macanudo.
     A situação à primeira vista era de segurança das embarcações ali atracadas. Mas em seguida, ou seja: após uns 30 minutos essa tranquilidade acabou.
     Começou com o Macanudo atracado de proa para W, estava de través para o vento e preso também na popa.
     Era impossível subir nele do trapiche, pela popa, como sempre subo, para liberar a popa e ele procurar se aproar. Tivemos que cortar as espias da popa.
     Em seguida, se arrebentou um estai (brandal) de estibordo, de barlavento (direção da qual vem o vem o vento)  do veleiro Uruti, atracado a boreste do Macanudo e distante uns 3 metros. Com isso, o mastro do Uruti quebrou vindo a cair por cima do Macanudo, entre o brandal de cima e o brandal de baixo. Nesse instante, tivemos que entrar na água, eu e o Escoteiro Baiano. Com muito esforço conseguimos tirar o mastro quebrado de cima do Macanudo, desenfiando-o dos brandais.
     A cruzeta do mastro do Macanudo entortou para baixo, soltando o brandal de estibordo. Antes que o mastro do Macanudo viesse a quebrar, conseguimos encaixar a ranhura da cruzeta no cabo e suspendê-la para esticar o cabo.
     Completamente molhado, com roupa emprestada pelo João Simões, Cmte. do veleiro Aragano, fui para casa me recompor.
      Às 18:00 hs, com vento de rajadas fortes ainda, agora, vindas do WWN, fui novamente ao Grupo de Escoteiros Alm.Abreu arrumar o barco para passar a noite. Para tal, tive que entrar novamente n'água para desenredar uma das espias de proa que havia se enroscado no pau em que se amarrava.
      Diante do que foi, e se soube pelo noticiário, saimos ilesos desse vendaval, pequena excessaõ feita ao Uruti.
     A seguir, sequência de fotos documentando o navio Log-in Santos, à deriva, praticamente em paralelo com a costa de São José do Norte.
     Embora possa parecer que tenha encalhado, não existe afirmação nem divulgação da imprensa. Além disso, navego frequentemente nesse trecho e afirmo que o canal na  cidade de São José do Norte é muito perto da costa, ainda pra mais, com o auxílio de dois rebocadores que talvez tenham salvado de encalhe.
     Por acaso, nesta quinta-feira dia 13, em velejada com o Macanudo, em direção à localidade do Retiro, SJN, fotografei esse navio fundeado há umas 2 ou 3 milhas náuticas da cidade nortense.
      Recebi em meu facebook 77 fotos das quais condensei as que publico.




Log-in Santos visto por trás e por cima da CEEE

















 Apesar de parecer encalhado, não está, devido a proximidade do canal à costa
Final do cais- ao fundo, dois rebocares


Aqui, ele estava nos fundos da CEEE


Foto tirada da doca (nova)


Foto tirada provavelmente quando passava no final do cais
Esta é a foto tirada na quinta-feira,13 a bordo do Macanudo

    


sábado, 22 de setembro de 2012

Veleiro Macanudo e a Chácara

 Veleiro Macanudo e a Chácara

     Em passeio à Ilha da Marambaia, visitei meu amigo Daniel, Comandante do veleiro Quindão ( Um Pinguim 12 de pés). Depois de me mostrar duas casas à venda, uma a uns 300 metros da Lagoa dos Patos e a outra à margem, fiquei muito entusiasmado. Não tive muito interesse na casa mais distante, pois meu interesse era de chegar pela Lagoa dos Patos e a casa o mais perto possível.
      A casa mais próxima, na verdade, não estava à venda.
     Saí em pesquisa e descobri este terreno que comprei. Trata-se de uma faixa de terra de 14 metros de largura, por 300 metros de comprimento, indo desde a orla da Lagoa dos Patos, até à margem da estrada que circunda a Ilha dos Marinheiros, na localidade da Ilha da Marambaia.
       Esse terreno estava bastante abandonado de tal maneira que a vegetação tomou conta, formando uma mata fechada. De início o trabalho foi abrir caminho em toda a extensão, para se poder chegar à praia.
      Pretendo brevemente edificar casa, provavelmente pré-fabricada, próximo à praia, talvez há uns 30 metros dela.
     Foram encontrados araçazeiros, ananaseiros, goiabeiras, amoreiras, limoeiros, laranjeiras pitangueiras, butiazeiros, framboezeiras,  isso até onde me lembro.
        Pássaros, já deparei com uns  22 espécimes. Chama maior atenção, casal de tico-ticos; visitam-me bandos de caturritas;  pombas carijós cantando a todo momento; sabiás do papo amarelo e cuco e, evidentemente, não poderiam faltar  os pardais.
       De ervas consideradas medicinais, destaca-se pela quantidade a baleeira, eficiente antinflamatório intestinal e a seguir, a carqueja.
Macanudo atracado no trapiche há 50 m da chácara
.
    .













 

Ananás

                                Lauta refeição a bordo do Macanudo atracado no trapiche próximo a chácara

Picada feita entre o taquaral

Chácara vista da Lagoa dos Patos

Lagoa dos Patos vista da chácara



Anchovas para o almoço

Repouso para degustar as anchovas

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Viagem à Ilha Grande, São Gonçalo

                        Viagem à Ilha Grande, no canal São Gonçalo

     Dia 22 de agosto de 2012, às 09:15 horas saimos do Grupo de Escoteiros Alm.Abreu, tendo como subcomandante o Daniel, velejador e comandante do Quindão, um Pinguim de 12 pés. Vento do NE, nos obrigando a uma cambada no Regatas, outra em São José do Norte e outra na localidade do Retiro, rumando a Norte até a boia de bifurcação da Barra do São Gonçalo. Às 14:00 demos início ao almoço, uma massa tipo caseira com camarão (descascado durante a viagem pelo Daniel). Almoçamos velejando, com vento moderado de amura de boreste. 

     Às 17:17 horas, sem incidentes, atracamos no Veleiros Saldanha da Gama, tendo percorrido 28,4 mn, com média de velocidade de 4 nós e pico de 6,1 nós.





Aurora no São Gonçalo- eu e o Daniel
     Dia 23, às 07:00 hs, demos início à segunda perna da viagem.Saimos com vento NE, com uns 15 nós de velocidade, na maior parte do tempo, de popa. 
     Às 08:35 hs chegamos à Eclusa e atracamos à espera da abertura às 09:00hs.

Atracado na Eclusa
     Após a passagem pela eclusa, seguimos viagem sem nenhum incidente, agora com ventos um pouco mais fortes, chegando a 20 kn o que nos obrigou a rizar a vela no primeiro rizo.
     Chegamos à Ilha Grande, na parte Leste e atracamos na barranca às 17:40 hs. com o objetivo de esperar pela chegada dos nossos amigos da barcaça Sea Gull que sairam de Rio Grande às 09:00 horas e seguir até o abrigo por eles escolhido.
     Não almoçamos. Fizemos lanche enquanto navegávamos. Ao chegar, fiz um chimarrão e enquanto tomava, ligava pra minha esposa.


Barranca a Norte do São Gonçalo
     Por volta das 22 horas, chegou ao nosso encontro a Sea Gull. Seguimos viagem, acompanhando-a, por uma hora, aproximadamente, até chegar a um canal de irrigação que usamos como abrigo e atracadouro para o acampamento do pessoal.




Canal de irrigação, usado como ancoradouro

     Nesse dia navegamos durante 9 horas, nas duas etapas, percorrendo 28,3 milhas náuticas, com média de 3,5 kn e pico máximo de 6,5 kn.

                                            Acampamento
Preparando um churrasco de porco 
Isto pra mim é novidade
     Na sexta-feira, 24, não navegamos, ficando no acampamento junto aos outros oito amigos da Sea Gull.
     À noite, em torno das 21:00 hs. apareceu uma tempestade de vento, a velocidade aproximada de 80km/h, do quadrante SW.
     Sàbado, 25, acordamos às 06 hs, com ventos do SW, de 30 a 40 nós. O Canal S.Gonçalo apresentava cristas de 50 cm e correnteza de vazante intensa (acredito que 2 a 3 kn). Analisamos a situação até às 08:50hs. quando resolvemos sair com rizo na segunda forra.
     Ao deixarmos a margem do canal de irrigação em direção ao Canal S.Gonçalo, motoramos para facilitar a manobra, pois estávamos a sotavento. Nisto, uma moita de água-pés se alojou no hélice, cortando o motor. Conseguimos atracar na margem a barlavento para retirar o água-pé e então, rumamos para o Canal.
      Navegamos 4:40 hs, até à Eclusa, mantendo uma média de 6,1 kn, mesmo com o vento amainando bastante, agora a uns 25 kn.
     Atracamos e esperamos a abertura às 14:00 hs. Partimos até o Arroio Pelotas, onde nos abrigamos e pernoitamos.
     Percorremos 31 mn em 8 horas, com velocidade média de 5,8kn e pico de 8,1kn.
     Domingo,26 saimos às 07:00 hs com vento moderado de uns 15 nós ainda do SW mas mesmo assim, mantivemos o rizo na primeira forra.
     Às 09:00hs, aproximadamente começou a chover não parando mais até o final da viagem, ou seja em torno de 6 horas consecutivas de chuva intensa.
     Por volta do meio-dia, não fizemos almoço. Comemos fiambre enlatado com canudinho de aniversário.
     Nesse percurso tivemos que cambar por duas vezes. Na última, com ajuda do motor pois estávamos praticamente a contravento e a correnteza era de enchente e bastante intensa.
     Chegamos às 15:40hs no Grupo, nosso porto, após 8 horas de viagem, tendo percorrido 31,3 mn com média 3,8kn de velocidade de e pico de 6,7kn.
      Nesta viagem, percorremos 119 mn somando 36 horas com média geral de 3,8 nós.
     Transcorreu tudo dentro da mais perfeita ordem, não surgindo nenhum contratempo que não tenha sido narrado ou que merecesse destaque

Sub comandante Daniel
Comandante Adão