A Primeira Vez
Acreditamos que a primeira vez é sempre importante e não se esquece jamais.
Evidentemente tem relação com o que está se passando na cabeça de cada um e com razão.
Mas comparações à parte, a primeira velejada, além de não se conseguir esquecer, ainda vale perpetuá-la nesta narração.
Pois tudo começou quando comecei a navegar numa lancha Cassarino de 14 pés, Escorpião I, que tinha como porto o Grupo de Escoteiros do Mar Almirante Abreu.
Esta lancha tinha um motor de 60 HP, que consumia minhas economias, (como dizia o Medeiros, do veleiro Lumar) que nem amante argentina.
Na época o João Abraão, também sócio do GEMAA tinha um vaqueiro 16, chamado Patinho e um Guanabara 24, chamado Abraão. Além de me oferecer a venda do Patinho, enaltecia a arte de velejar. Como tinha poucos recursos e temia não ser o que eu queria, acabei comprando um O'Day 12, de nome Diamante.
Um dia, o João Abraão saiu comigo, à tarde, para me ensinar a pilotar o Diamante. Saimos rizados, pois o vento era um pouco forte, o João não tinha grande traquejo com veleiros tão pequenos.
Ensinou-me que a cana do leme ia para um lado, e a direção do barco ia para o outro. Enfim, presenciei tudo que ele fazia.
O vento havia amainado um pouco, de volta ao trapiche,resolvemos retirar o rizo e aí o Escoteiro Guilherme embarcou. Depois de uns 30 minutos, numa cambada, recebemos uma rajada mais forte e o João e o Guilherme foram para o bordo a barlavento e eu, na minha inexperiência, fiquei no bordo, agora a sotavento. O que se esperava com isso? Viramos.
Para desvirar, todo mundo sabe como. Por estarmos com água há a uma altura de uns 80 cm, foi bastante fácil desvirar o barco, mesmo tendo que subir na bolina.
Desvirado o barco, voltamos para o trapiche, recolocamô-lo na carreta de encalhe e o guardamos.
O João prontificou-se de no dia seguinte, sairmos novamente, quando ele me daria o leme para pilotar o Diamante. Marcamos para sair às 14:00 hs.
No dia seguinte, em torno do meio-dia, arrumei o barco e o coloquei n'água, sem esperar pelo João. O vento era de bochecha de boreste. Estava tudo bem até a hora de bordejar, para retornar. Vira o leme, solta a escota, passa para a borda contrária e pronto: o barco vira! Acho até que quis bordejar com um jaib. Volto à tona, com um monte de cabos boiados, enroscados no pescoço. Livro-me deles e subo na bolina e o barco desvira. Por sorte, deveria estar aproado senão, ao desvirar, poderia inflar as velas e me deixar flutuando confortavelmente em meu salva-vidas!
Após subir, no Diamante, cacei as escotas da genoa e mestra e rumamos de vento de bochecha de boreste, até à costa da Ilha da Pólvora. Quando o leme (pivotante) começou a arrastar no fundo, desci do barco e o rumei agora com vento a bombordo. Subi nele a até a umas 2 milhas nessa direção, consegui pegar o jeito; leme pra cá, proa pra lá; folga a mestra, sai do vento; caça, aproa. Isso, evidentemente, como regra geral.
Disto, resulta que consegui sozinho, sair e voltar ao porto, mesmo tendo feito meu primeiro bordejo "a mão" .
Estava muito orgulhoso por me sentir um velejador, pois havia lido que o bom navegador, seja como for, sempre retorna ao porto de origem.
Para desvirar, todo mundo sabe como. Por estarmos com água há a uma altura de uns 80 cm, foi bastante fácil desvirar o barco, mesmo tendo que subir na bolina.
Desvirado o barco, voltamos para o trapiche, recolocamô-lo na carreta de encalhe e o guardamos.
O João prontificou-se de no dia seguinte, sairmos novamente, quando ele me daria o leme para pilotar o Diamante. Marcamos para sair às 14:00 hs.
No dia seguinte, em torno do meio-dia, arrumei o barco e o coloquei n'água, sem esperar pelo João. O vento era de bochecha de boreste. Estava tudo bem até a hora de bordejar, para retornar. Vira o leme, solta a escota, passa para a borda contrária e pronto: o barco vira! Acho até que quis bordejar com um jaib. Volto à tona, com um monte de cabos boiados, enroscados no pescoço. Livro-me deles e subo na bolina e o barco desvira. Por sorte, deveria estar aproado senão, ao desvirar, poderia inflar as velas e me deixar flutuando confortavelmente em meu salva-vidas!
Após subir, no Diamante, cacei as escotas da genoa e mestra e rumamos de vento de bochecha de boreste, até à costa da Ilha da Pólvora. Quando o leme (pivotante) começou a arrastar no fundo, desci do barco e o rumei agora com vento a bombordo. Subi nele a até a umas 2 milhas nessa direção, consegui pegar o jeito; leme pra cá, proa pra lá; folga a mestra, sai do vento; caça, aproa. Isso, evidentemente, como regra geral.
Disto, resulta que consegui sozinho, sair e voltar ao porto, mesmo tendo feito meu primeiro bordejo "a mão" .
Estava muito orgulhoso por me sentir um velejador, pois havia lido que o bom navegador, seja como for, sempre retorna ao porto de origem.
O'Day 12-Veleiro Diamante
Veleiro Patinho
Boas histórias se sucedem com a aquisição do veleiro Patinho e veleiro Macanudo.
Quem tiver pressa para "curtir" esses relatos, pode acessar o youtube citando apenas veleiro patinho, ou veleiro Macanudo que surgirão alguns vídeos de nossos passeios.
Para finalizar, citei que após a desvirada do barco, por sorte estava aproado. Antes de desvirá-lo, devemos nos certificar se está aproado ou não. Se não estiver, e a escota da mestra no mordente, antes de se conseguir entrar nele, poderá pegar vento e nos tornar náufragos.