segunda-feira, 26 de agosto de 2013

A História do Camarão

     Muitos amigos querem saber que história é essa de camarão a bordo, quando em viagem à Ilha do Contrabandista, no Rio Piratini em sua foz junto ao Canal São Gonçalo que liga a Lagoa Mirim à lagoa dos Patos, no Rio Grande do Sul. Digo Rio Grande do Sul por extenso porque me dói o ouvido ao escutar "no Rio Grande", referindo-se ao Estado. Assim, penso, lá do outro lado, no Nordeste, esse direito deve ser dado ao povo do Rio Grande do Norte. Além do mais, aqui a coisa se agrava devido a existência da cidade do Rio Grande. Fica uma confusão extraordinária. E o pior é que essa prática é mais usada pela imprensa gaucha!
     Pois como dizia, nessa viagem criou-se um "causo" (não sei quem mente mais: se pescador ou velejador) com relação ao camarão que levei.
     Chego a pensar que o "causo difamatório" foi criado por pura inveja dos amigos da flotilha!
     Por falar em flotilha devo citar que ela era formada pelos veleiros Gaudério do Ribeiro, Aragano do João Abraão, Spoker do Ventura, Patinho do Daniel e Macanudo desta vítima de comentários desairosos.
Da esquerda para a direita: veleiros Gaudério, Aragano, Spoker e Patinho, visto do Macanudo

     Saímos dia 7 de janeiro de 2012, rumo à Pelotas, RS com intuito de irmos até ao Sangradouro. Nesse dia atracamos no Veleiros Saldanha da Gama mas devido ao aumento da velocidade do vento e quadrante, preferimos voltar até o Arroio Pelotas, abrigando-nos numa curva.
Veleiros Saldanha da Gama (ao fundo, Gaudério, Patinho, Aragano e Macanudo

     No dia seguinte, chegamos à Ilha das Moças, onde pernoitamos devido ainda à intensidade do vento.
     À noitinha, depois de um gostoso chimarrão a bordo do Gaudério e bate-papo animado, me recolhi ao Macanudo descasquei  camarões e os  preparei ao molho com a intenção de serem o almoço do dia seguinte. 


Ilha das Moças (lado estreito)
     Nesse dia, chegamos à Ilha do Contrabandista, quando fizemos uma galinha assada (já não muito santa que também eu tinha levado) junto ao churrasco. 
     À noite, comemos o que restou do churrasco do meio-dia e fomos dormir.


Arroio do Contrabandista
     No outro dia, decidimos voltar. Navegamos até o Arroio Pelotas, quando fizemos o almoço a bordo do Aragano.
     Depois do almoço cada um de nós foi para seu barco para um descanso merecido.
     Ao chegar no Macanudo, deparei com um forte cheiro de gás.  Dei o alerta:
     -Pessoal! O botijão de gás está vazando. Esse vazamento apareceu assim, de repente!
     Cada um deu um palpite. Principalmente para que eu não acendesse chama nem causasse faísca!
     Fechei a válvula de regulagem do botijão, abri a gaiuta de proa e esperei que o arejamento desse cabo do mau-cheiro. Só depois de um pouco de raciocínio é que percebi que o mau- cheiro vinha de debaixo da mesinha  do fogão, da panela que eu havia preparado o camarão no molho!
     Só aí é que lembrei novamente do camarão, após 3 dias!
     Eram uns 2 quilos de camarões que fermentaram, e criaram uma espuma espessa que enchia a panela e fedia. Fedia muito!
     Meu erro foi ter tranquilizado o pessoal que não se tratava de vazamento de gás e sim do camarão fermentado.
     Essa é a verdadeira história do camarão. Mas contam que apareceram centenas de peixes mortos no Arroio Pelotas porque eu joguei o camarão n'água. Outros dizem que o IBAMA estava querendo autuar o autor do derramamento de produto tóxico, poluindo o meio-ambiente  e há os que contam que eu insistia a todo momento que provassem e comessem do meu camarão, que estava uma delícia! Dizem, que para não me chatear, recusavam com várias desculpas, chegando o João a dizer que tinha alergia!
     Fofocas à parte, o certo é que ao chegar em Rio Grande, apressei-me em colocar no meu barco um desodorizador de ambiente, que existe nele até hoje.







     

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

A VOLTA DOS QUE NÃO CHEGARAM

                       A VOLTA DOS QUE NÃO CHEGARAM

Neste sábado passado, em visita ao meu antigo, querido e simpático porto, o Grupo de Escoteiros do Mar Almirante Abreu, encontrei o Renato Ventura a bordo do seu veleiro Travesso (acho que estava sesteando) e o Daniel agora dono de um Delta 17 (Tchê) recentemente adquirido e batizado de Maria Déta. Eu e o Daniel resolvemos viajar até Pelotas, RS, saindo domingo às 08:00 h. e retornando na segunda-feira. As previsões de tempo para esses dois dias eram extremamente favoráveis, tanto para a ida, como para a volta.
     Nos dois sites consultados as previsões eram parecidas; para domingo, ventos do S de 7 a 10 kts. e para a segunda-feira mesma velocidade mas do quadrante N a NW.
      Domingo, 8 horas da manhã, exatamente, o Maria Déta adentra a enseada do RGYC, enquanto eu vou saindo do box do Macanudo. No canal, aproamos a motor e içamos as mestras.

Farol de entrada do RGYC

Entrada da enseada do RGYC
O vento estava de W e pela prática, podia-se afirmar que estava em torno dos 10 nós. Chegando à ponta do Clube Regatas, começamos a cambar para o NE, atravessando a parte baixa, entre o Canal Miguel da Cunha e o farolete 20, em frente à Marambaia, quando desenrolamos a genoa, chegando a atingir o pico de 6,2 nós.
     Aos poucos notava-se que o vento aumentava de intensidade, com rajadas chegando a 15 ou 17 nós. 
     Nessa situação, após uns 15 minutos rizamos mestras na primeira forra e reduzindo à metade a genoa. 
     Com certeza, devido à perspectiva de aumento da intensidade do vento o bom senso mandava que retornássemos, pois não estávamos em competição e sim em singramento de passeio e já começava a ficar estressante. Conversamos e chegamos a comentar que iríamos até à boia 22, do Diamante e retornaríamos.

Coroa do Diamante  
Coroa do Diamante-Macanudo ao fundo


     As condições permaneceram estáveis e assim esquecemos nossa conversa sobre o retorno na boia 22. O vento aumentou mais ainda, quando passei para a segunda forra. O Maria Déta não tinha a segunda forra de rizos. 
     Estávamos na direção dos 330° e o vento de W a  WWS. O macanudo estava  adiante uns 100 metros. Eu olhava um pouco  à frente, outro pouco atrás. Assim, vi quando a genoa e a mestra "murcharam" no Maria Déta. Parecia que o Daniel tinha largado as escotas simultaneamente. Mas não. Imediatamente vi  o mastro quebrar-se, vindo tudo abaixo e dentro d'água. Eu já estava com a genoa enrolada e imediatamente baixei a mestra e acionei o motor. Voltei e tentei me aproximar do Maria Déta mas o mar estava muito revolto, com ondas acima de 1,5 metros e o vento muito intenso. Aí é que se vê que o velejador solitário diante das dificuldades fica quase inerte. No momento não encontramos jeito de amarrar o Macanudo na popa do Maria Déta. O Daniel, precisando de ajuda para recolher as velas e o mastro de dentro d'água e eu andando em círculos tentando aproar na popa do Maria Déta. Só depois, é que percebi que meu barco é equipado permanentemente com um cabo na proa e dois na popa: um a bombordo e outro a boreste. A saída seria eu ir à proa, pegar o cabo e trazê-lo por fora do barco e ficar com a outra ponta, enrolada para atirá-la pela popa. Não sei se nessas condições daria certo, mas valeria a pena tentar.
     Só depois de uns 30 minutos o Daniel consegue içar as velas e o mastro. A partir daí, retornamos a motor, procurando vir próximo à costa Oeste. 
     Quando estávamos perto da costa, e um pouco menos intenso o vento, medi com o anemômetro 41 km/h. mas posso assegurar que em seguida, tiveram rajadas próximo aos 50 km/h. No canal, na curva do Diamante, boia 22 as ondas eram em torno de 2 metros. Gaiuta fechada, aproado ao vento e motor à meia potência (meu motor é de 8 HP) a  água passava por cima do convés e se derramava no cockpit .
     Sei que este relato é singelo demais, visto por quem conhece histórias sobre travessias oceânicas. Tão singelo  que para pessoas simples como nós se transforma num feito homérico. Se as concepções ficarem  num meio termo me dou por satisfeito e com a consciência tranquila por ter sido fiel aos fatos.
     Mesmo com minha idade avançada, mesmo com adversidades que possam se apresentar,  muitas vezes de súbito, nas velejadas, o Macanudo não está à venda.



segunda-feira, 3 de junho de 2013

GERONTOLESCÊNCIA

                                                                GERONTOLESCÊNCIA


O blog aproveita a veiculação da matéria em Zero Hora, e outras fontes que também divulgaram, dentre elas, o popa.com.br, para ajudar a difundir a arte da vela, neste caso, como uma      das atividades mais salutares e aprazíveis. 


      Gerontolescentes aproveitam o lado bom da velhice - 01/06/2013

Eles já passaram dos 60, mas ignoram as limitações da idade e investem em qualidade de vida.
Gerontolescentes aproveitam o lado bom da velhice  Lauro Alves/Agencia RBS
O casal Henrique Ilha e Valmi Horn não abre mão dos passeios de barco pelo Guaíba
Foto: Lauro Alves / Agencia RBS
Observação do Blog:
Henrique tem 83 anos e Valmi 79.
Preferem ir ao baile do que ao médico. Não dependem de andador para ir e vir do mercado. Comunicam-se com os filhos, os netos e os amigos pelas redes sociais. Não se vitimizam com as marcas do tempo. Em vez disso, aproveitam a força que têm para concretizar realizações pessoais, agora com maior disponibilidade de horários, mais sabedoria e melhores condições financeiras.

São os gerontolescentes, pessoas que já passaram dos 60 e optaram por investir em qualidade de vida, ignorando as limitações naturais dessa idade.

O termo foi cunhado pelo médico Alexandre Kalache, um dos geriatras que mais estudam o envelhecimento no Brasil. Kalache explica que a velhice não acontece de repente: ela representa uma soma de fatores que marcam o curso da vida ou o resultado de tudo o que já se viveu. Não há segredo para envelhecer bem, afirma, apenas algumas dicas, das quais ele destaca três: cuidar dos hábitos de saúde, organizar as finanças e manter os laços de amizade.

— É na velhice que se tem mais perdas. É nessa época que a pessoa precisa se valer de amigos, é a eles que você vai recorrer quando estiver sozinho. Essa rede social evita que você vá se deprimir — aconselha o geriatra.

Projeções do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam para um crescimento populacional dos idosos no país de mais de 3% ao ano, quase três vezes acima do aumento da população total, de aproximadamente 1,1%, observado entre 2000 e 2010. Em 2050, espera-se que esse grupo corresponda a 30% da população brasileira, contra 11% atualmente.


"Gerontolescência
significa estar pelo
mundo, ativo, criando
uma nova construção
que é envelhecer."

Geriatra Alexandre Kalache, explicando o termo criado por ele
Confira aqui a entrevista completa com


quarta-feira, 29 de maio de 2013

Macanudo e a Chácara: Acaso?

                                       Macanudo e a Chácara: Acaso?

     Contava a amigos um caso interessantíssimo ocorrido comigo e nosso veleiro Macanudo, quando me ocorreu que a narrativa se encaixaria perfeitamente no blog do Macanudo. Provavelmente o relato mais surpreendente e cativante de nosso blog. Cada leitor terá uma opinião diferente para o fato. Eu particularmente aprendi  que não existe "por acaso" e sim, "por causa".  

    Voltávamos de uma velejada de 4 dias, de retorno da Ilha do Contrabandista, localizada na Foz do Rio Piratini, no Canal São Gonçalo, RS,  em flotilha composta pelos veleiros Aragano, Gaudério, Macanudo, Patinho e Spoker, dos comandantes João Abraão, José Ribeiro, Adão, Daniel e Ventura, respectivamente.
Ilha do Contrabandista
 
 
 
                                      Da esquerda para direita:Aragano, Gaudério, Spoker, Macanudo e Patinho

     Dia 12 de janeiro de 2012, após pernoite no Iate Clube de Pelotas, saímos a motor no Arroio Pelotas e assim fomos  até próximo à Barra, devido à calmaria reinante naquela manhã.  Não recordo em que momento içamos velas, mas lembro que o vento era do Este ou do Este-sudeste . Os veleiros Aragano e Gaudério tomaram a dianteira, distanciando-se umas 2 milhas. Era próximo ao meio-dia quando o vento bruscamente  mudou para o Sudoeste e aumentando de intensidade, a qual atribuímos uns 70 a 80 km/h. Baixamos as velas e rumamos para a costa afim de minimizar a intensidade do vento pois estávamos entre a Ponta do Arraial e a Ilha dos Marinheiros.
     No início do vendaval, o veleiro Spoker tinha se distanciado uns 600 metros do Macanudo e do Patinho. Por isso as minhas manobras e as do Daniel  foram semelhantes e nos mantivemos próximos um do outro. Após uns 50 minutos com as águas abrigadas pela costa, agora na localidade da Marambaia (parte da Ilha dos Marinheiros a Leste) encontramos o veleiro Spoker do Renato. Mais adiante, a Leste de onde estavam havia um trapiche. Convidamos o Renato para irmos pra lá e prepararmos um almoço. Assim fizemos. Atracamos no trapiche e demos início ao almoço. Nisso, chega pelo trapiche um pescador.
Trapiche da Marambaia, onde atracamos
      
O trapiche, Macanudo e Spoker ao fundo




O Daniel que tem casa na Marambaia conhecia ele.
     Então disse: -  Adir: Podias nos substituir duas latinhas de cerveja que temos a bordo por duas geladas?
     O homem nem respondeu. Deu meia volta e daí a pouco surgiu com duas latinhas de cerveja geladas.
     Fizemos a troca, ele sentou no trapiche e enquanto comíamos, conversávamos

Adir,  homem das latinhas

     Após o almoço, saímos motorando  contornando a costa, em direção a Rio Grande. E assim termina esta parte do relato.
    Em julho desse mesmo ano em passeio à Ilha da Marambaia, visitei meu amigo Daniel, agora Comandante do veleiro Quindão ( Um Pinguim 12 de pés). Depois de me mostrar duas casas à venda, uma a uns 300 metros da Lagoa dos Patos e a outra à margem, fiquei muito entusiasmado. Não tive muito interesse na casa mais distante, pois meu interesse era de chegar pela Lagoa dos Patos e a casa o mais perto possível.
      A casa mais próxima, na verdade, não estava à venda.
     Saí em pesquisa e assim descobri pela internet uma chácara à venda na Marambaia. O anúncio mostrava a localização em uma foto do Google Map. Transpus as coordenadas para meu GPS e fui ver o terreno. Quando cheguei no ponto, parei e vi um senhor que estava chegando em sua propriedade, ao lado. Chamei-o.
     -Por favor, amigo. Sabe me dizer onde é o terreno à venda?
     -O amigo parou dentro dele.
     O  terreno era ao lado do dele. Fiquei constrangido de pedir-lhe que me mostrasse.
     Para que ele fosse ficando à vontade, fui me apresentando, dizendo que era amigo do Daniel, que éramos companheiros de velejadas e assim por diante.
     Ele comentou:
     -Um dia, o Daniel esteve abrigado no trapiche daqui, quando eu lhe troquei duas latinhas de cerveja geladas. Ele estava com um amigo. Era você?
     Pronto! Estava quebrado o gelo inicial. O constrangimento em pedir que me mostrasse o terreno desapareceu e ele solicitamente me mostrou me colocando a par de situações locais, etc. e tal.
     Comprei o terreno (ver postagem A chácara e o Veleiro Macanudo)
Veleiro Macanudo, atualmente atracado no mesmo trapiche
 
     Hoje, esse trapiche, a costa, nesse exato ponto onde nos abrigamos em janeiro desse mesmo ano, é a porta de chegada da Lagoa dos Patos   para   a minha chácara.
Porta da Chácara para a Lagoa dos Patos
    
Entrada para a chácara
     
 O homem das latinhas de cerveja é meu vizinho lindeiro e temos uma boa amizade.
     Como disse acima, cada leitor dará uma interpretação pessoal ao que aparenta ser coincidência. Repito que acredito não no "por acaso" e sim no " por causa". Creio que seja o resultado pelo  convívio frequente de  atividades, pessoas, lugares gerando  uma simpatia e  aproximação entre si.
      

 
    

    
    
    
     
 
 



 


 

segunda-feira, 27 de maio de 2013

EU E MARLEY II

                                    EU E MARLEY II

 Está difícil de cumprir com a promessa de nova postagem sobre as peripécias do Marley, principalmente de fotos dele a bordo, porque à razão em que ele cresceu foram aparecendo dificuldades de navegar com ele. Por outro lado, tem amigos que gostariam de seguir sua evolução.                                                                                                                                                                                                                                                                        A princípio o Marley não é um cão peralta. Considero seu temperamento ações e reações  normais em um cachorro de 8 meses.Temos que ter paciência com algumas coisas que ele faz. Por exemplo: quando temos que deixá-lo  sozinho em casa, fica em parte do terreno dos fundos, onde temos alguns arbustos.

    
 


Ao fundo maracujazeiro. O Marley roeu os troncos junto ao chão.
 
Um dia ao chegarmos, encontrei espalhados pelo pátio os galhos do maracujazeiro, cortados rentes ao pé! Fazer o quê? Briguei, xinguei mas não bati. Bater em quem fez alguma arte, criança ou animal, não é corrigir e sim ir à forra, cobrar o preço do dano.
Ele ficou muito chateado, baixando a cabeça e rastejando como pedindo desculpas mesmo que transparecesse que não tinha o menor conhecimento do que se tratava. Bastou-me essa atitude. Ele estava arrependido, mesmo sem saber porque!
     Depois, noutro dia, liquidou com um pé de Jiboia Gigante que se vê na foto, atrás do maracujazeiro, no canto. Mesma ação e mesma reação.
     Mas como disse, é um cão normal. Vejam outro exemplo, agora positivo: Temos o hábito de enquanto tomo café, de dar-lhe pão, bolacha ou o que estiver comendo. Não precisa mais se recomendar para que saia para fora de casa para comer. O incrível é que quando esquecemos de abrir a porta, ele volta e fica quieto, olhando-nos com o pão dentro da boca, sem mastigar.
     A última vez que velejei com Marley, ao desembarcar do Macanudo, coloquei uma tábua, da proa ao trapiche, de uns 120 cm, para que ele descesse. Quando chegou ao meio, a tábua se inclinou e o Marley se foi à água. Como eu estava segurando-o pela guia, consegui, depois de muito esforço, agarrando-o pelas patas dianteiras, içá-lo para o trapiche.
     Isto aconteceu há uns dois meses atrás. Ele estaria com uns 30 quilos. Atualmente, está com uns 40 quilos e nesse caso, se cair n'água, acredito que seria quase impossível de erguê-lo para bordo.
      Vivo um momento de incerteza. Queria tanto um cão para me fazer companhia nas minhas velejadas até que minha esposa me presenteou com o Marley. Até à queda da prancha de madeira, estava tudo indo muito bem. A partir daí, sempre que velejo, ele fica em casa, nos fundos. Ainda bem que ele tem a companhia de uma cachorrinha de 13 anos de idade a qual ele não dá sossego.
      Mesmo que tenha fugido um pouco dos propósitos do nosso blog, afim de cumprir com a expectativa de amigos que gostaria de rever algo sobre o Marley, penso que valeu a pena.
     Diante do cumprimento do dever de informar estou me transformando num escritor de livre e espontânea vontade dos nossos visitantes do blog.
     Sou homem pouco letrado e escrevo por força de vontade. Portanto, quando depararem com erros de ortografia sintaxe e outras "cositas más", não reparem...
 

Marley com 1 mês e poucos dias de vida

                                     

                          Minha esposa Adriana em mimos com Marley                                      
                                                                                                                                                                                                                  
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

domingo, 5 de maio de 2013

OS PÉS

                                             OS PÉS

    Impressionante como nossos conceitos mudam, com o passar do tempo. Alguns diriam que seria por personalidade fraca, outros que seria porque o sujeito é um "maria-vai-com-as-outras".
    Penso que o que evoluimos dia a dia nos faz repensar, rever nossas atitudes passadas e regozijarmo-nos com os acertos e se possível, reparar nossos erros.
    Meus  amigos dizem que sou obstinado, que não aceito opinão, que sou "maniático". Apesar da minha natural flexibilidade, não posso concordar com eles. Afinal, também sou "opiniático". Eles sabem perfeitamente, que penso o mesmo deles. Porisso, damos belas risadas em sabermos que fofoqueamos uns dos outros estando presente ou não, sem ferir susceptibilidades, graças à mútua lealdade.
    O acima exposto serve de preâmbulo ao assunto em foco.
   Há 3 anos, quando comecei a velejar, num O'Day 12, acumulei 136 horas de vela. O que sabia, era o bê-a-bá da arte.
Em seguida, Adquiri um Vaqueiro 16 navegando nele 556 horas. No mínimo, para evitar delongas, a mudança se deu em planejar percursos mais longos, viajens com pernoites e refeições a bordo.
    Atualmente, com um Micro Racer 19, me aventuro a viajens mais longas, seguidamente navegando no Canal São Gonçalo e culminando com ida à Jaguarão.
    Para tanto, senti a necessidade de ter a bordo GPS e piloto automático e atualmente o Macanudo está provido com sonda.
    Por aí, se vê que muita coisa mudou e que tive que formatar nova concepção quanto à arte de velejar. E um amigo que tem um barco de 26 pés disse-me que somente agora reconhece o que é  velejar. 
   Alguns leitores já devem ter notado que o termo pés foi citado frequentemente e por acaso, coincide com o título. Essa coincidência não é por acaso e sim, por causa.
    O que pretendo estabelecer aqui, é que o conceito muda conforme muda o tamanho do barco ou em outras palavras, o velejador pensa com os pés.
       Apesar de reconhecer em mim um certo egoismo e gostar um pouco de solidão, sempre me esforcei em ter um espírito de coletividade. Então, se saimos juntos, não importa quantos, para uma velejada, meu senso de companheirismo me diz que devemos sair, chegar e regressar juntos.
      É lógico que numa viagem, digamos, de 2 veleiros cada um deles terá uma velocidade de casco diferente do outro. Então, se  o percurso é longo, o mais veloz se distanciará do mais lento. Assim, um veleiro de 33 pés tem uma velocidade de casco de aproximadamente 8 nós; um veleiro de 19 pés, tem em torno de 6 nós. Numa viagem de Rio Grande a Pelotas, em condições favoráveis, o primeiro faria o trajeto em 4 horas e 10 minutos e o segundo, em 6 horas e 15 minutos. São praticamente 2 horas de diferença entre embarcações.
Logicamente que se a viagem for idealizada entre ambos, está implícito que chegarão ao destino, mais ou menos próximos, Mas , se for programado em grupo ou entidade, formando-se flotilha, haverá uma “corrida” onde os maiores chegarão primeiro e os menores por último. Evidentemente não está em discussão, a perícia e o traquejo na condução das embarcações, bem como, não me referi à área vélica nem à dinâmica do barco (se de regata ou de cruzeiro).
     Isso me faz raciocinar, que em três anos de vela, mudei de pensamento e comecei a perceber que os amigos velejadores vão acumulando "calos" adquiridos ao longo dos anos, um pouco pensando com os pés, outro pouco agindo sob os efeitos de desigualdades, não sendo tão importante andar junto, nem sequer, perto uns dos outros.
     Em assim sendo, em postagem deste blog no ano passado, mostro um  certo ressentimento nesse sentido. Esse ressentimento hoje reconheço, foi mais fruto da  minha inexperiência, do meu egoismo ,  do meu preconceito do que verdadeiramente outro procedimento.
     Para finalizar e contrariar, particularmente, eu gostaria que fosse diferente.
    
    
   
 
Abrigo na Ilha Grande, São Gonçalo
    
Pôr-do-Sol, Foz do Rio Jaguarão
 
     
 
 
 

domingo, 14 de abril de 2013

Jantar das Terças-Feiras

                                  JANTAR DAS TERÇAS-FEIRAS

     Há alguns meses que sigo o blog  Flotilha Velejadores do Sul, dos moderadores Mauro e Janice, do veleiro Matreiro, um garboso Scorpion 26.
     O blog é agradável e convidativo, pelas narrações e riqueza de fotos, em número e grau, como também programa um jantar às terças-feiras , semana sim, semana não, reunindo  amigos e contatos.
     Desde que soube desses jantares que tinha vontade de participar. Até me manifestava em comparecer. Entretanto, acontecia sempre algo que impedia ou dificultava minha presença.
     Por várias vezes, convidei os amigos de velejadas do Grupo de Escoteiros Almirante Tamandaré (eu era integrante do Grupo). O João, do veleiro Aragano;  o Daniel agora com um Delta 17, que ainda não sei o novo nome; o Ventura do Travesso. Porém, as coisas nunca deram certo.
     Desta vez, deixei que o dia de terça-feira amanhecesse e se confirmassem as previsões  meteorológicas. De fato, às 9 horas da manhã, vinha uma brisa agradável do SE, de 9 a 12 nós. Como tenho provisões a bordo, peguei apenas um cobertor, uma calça, uma camisa e roupas de baixo. Para o almoço, levei uns 800 gramas de camarão.
     No trapiche, decidi empreender viagem a Pelotas, tendo como porto de chegada o ICP.
     Às 9:25 horas desatraquei. Tudo favorável: vento, maré alta, enchendo.
     Depois de despontar o Clube Regatas, rumei ao farolete 20, com piloto automático, enquanto sorvia um saboroso chimarrão.
     Assim, transcorreu, até às 11 horas, aproximadamente. Resolvi, então, dar início ao almoço, começando a descascar o camarão.
     O almoço foi camarão à baiana, feito com molho pronto e temperos variados tidos a bordo.
     Em seguida, deixamos a bóia da bifurcação, a boreste, entrando na Barra de Pelotas.
Avistando a foz do Canal São Gonçalo
Canal São Gonçalo
     Às 14:50, atraquei no trapiche do ICP. Preparei um café e lá pelas 5 horas, fiz outro chimarrão, agora saboreado sob os ares pelotenses e o belíssimo visual do Arroio Pelotas e dependências do Iate Clube de Pelotas.
     
Merecido repouso, no remanso do trapiche do IAC,
Arroio Pelotas ao fundo
  Após o chimarrão, desci em direção ao salão de festas, onde avistei pessoas, que concluí, fizessem parte do jantar. De fato, tratava-se do Mauro e da Janice, no mirante do salão, sentados, curtindo um chimarrão. Conversamos e em seguida fomos para junto à churrasqueira.
     Aos poucos o pessoal foi chegando, tendo finalmente, uns 20 participantes. Conforme o pessoal chegava, o Mauro ia me apresentando.
     O churrasco era de um leitãozinho, que mais parecia um guaipeca. Saborosíssimo!
Vê se não parece um cusco?


Agora até parece maior

As costelinhas pareciam gravetos... deliciosos

Como entrada, o Mauro nos apresentou um guisado prensado e posto numa grelha própria para peixe (que se fecha e prensa o assado) temperado à moda dele (acho que tinha a mão da Janice, também). Muito gostoso também.
     O que devo dizer quanto ao aconchego e acolhida que tivemos, mesmo que esta narrativa não viesse a ser lida por nenhum dos amigos que estiveram e certamente estarão em outras reuniões, é que saimos de lá felizes, tendo tido o privilégio de conviver com amigos num clima da mais perfeita harmonia, inclusive com o Comodoro Eugênio Lamas.
Aqui, recém chegada do pessoal
A anfitreã Janice, só no tira-gosto!


    
     As fotos acima, referentes ao jantar, foram cedidas pelo Mauro, por email, ao qual agradeço, pois assim, enriqueceu nosso humilde blog.
     Aproveito para externar minhas desculpas por não ter me despedido dos companheiros, principalmente dos organizadores-anfitreões Mauro e Janice, pois o Sadi foi me mostrar o barco e nos detivemos em bate-papo até que percebemos que já tinha ido embora quase todo o pessoal.
     Podem ter certeza: assim que puder, mando email dizendo pra "aumentar a água do feijão". Nem precisa convite!
     Para finalizar este relato dessa velejada em solitário, no retorno, saí pela manhã, às 06:55 horas com vento Leste. No Canal São Gonçalo bordejei, umas 5 vezes, até chegar na foz. A partir daí, baixei a mestra e motorei ainda a Leste por uns 50 minutos, quando levantei a mestra, rizada, rumando agora a Sul, pegando o vento pela bochecha a bombordo.
     A correnteza era de vazante, o vento Leste,  favorável quando no rumo  Sul mas devido a intensidade e rajadas do vento, o que atribuo, seriam de 18 a 25 nós, tornaram as condições um tanto quanto severas, principalmente por terem se formado ondas de alturas relevantes.
     Apesar de uns poucos e pequenos incidentes, a viagem de retorno foi boa.















 

quinta-feira, 21 de março de 2013

Diário de Bordo e Histórias

                                             DIÁRIO DE BORDO E HISTÓRIAS

 
 
 
 
     Li, de um outro colega velejador, que se pode desconfiar de relatos baseados no Livro de Bordo, pois o sujeito preso à escota e ao leme, sem nem ao menos poder fazer xixi (ipsis litteris), não estará, certamente, registrando o fato no Livro de Bordo. Concordo. Entretanto, devemos confiar, primeiro na credibilidade, depois no senso de discernimento e por último, na memória do relator. Creio que quase cem por cento do que se lê é escrito de memória e não se trata de obra de ficção.
     Outra questão é a ética. Quando se narra fato que envolva pessoas nominalmente e/ou coisas que os identifique, há que se ter o cuidado em não se ferir susceptibilidades. Porém, fica a seguinte questão: como se narra um evento em que um colega falte com a ética ou que falte com o coleguismo esperado e não  se pode ser econômicos com a verdade?
     Confesso, que me arrependo de narrar certos fatos envolvendo companheiros de atividade. Entre mentir ou maquiar a verdade preferiria a  escrever nada. No afã de divulgar a arte da vela me vejo atualmente envolvido também com a arte da redação, parcamente desenvolvida, pela qual, aproveito e solicito perdão pelos erros cometidos (sou eu mesmo  o revisor).
     Não há como desfazer o que está escrito. A retratação seria o reconhecimento de ter mentido. Fica então o reconhecimento de que todos nós podemos entrar em erro, principalmente eu. Como Deus me brindou com um espírito de boa vontade, destituido de rancor ou ódio, estou sempre pronto pra entender as fraquezas humanas. Seria ótimo que envolvidos em episódios desagráveis assim pensassem também.

    

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Ribeiro do Passinho

                         Ribeiro do Passinho

Acredito que o velejador principalmente o solitário é, por excelência, um desbravador. Talvez devido ao deslumbramento pelo que era desconhecido (quando se está em terra), como  também devido à influência de fotos, relatos de navegadores  e, em especial, de velejadores pois devido ao deslocamento lento da embarcação o observador consegue captar mais detalhes.
     Até meus 64 anos, não fui atraido pela náutica, apesar de ser filho de Rio Grande, RS. Agora, como velejador com uma parca experiência de 1800 horas e quase três anos na arte, tenho ânsia de conhecer e pisar terras até então inacessíveis para mim. Dá até pra se ter a sensação do que sentiram Colombo e Cabral!
     Não vamos dizer que as  praias, ilhas, canais e outros acidentes geográficos riograndinos sejam os mais belos. Já me manifestei assim antes e fui criticado, pois outros portos da Lagoa dos Patos são muito mais bonitos. Não tenho como comparar por não conhecer além de São Lourenço do Sul e Jaguarão. Entretanto, temos aqui muitas alternativas para lindos passeios. Há ainda um fator limitador dessas alternativas, que é a baixa profundidade de muitas localidades e praias. Assim sendo, há que se entender que os barcos de maior calado têm mais restrições de se aproximarem de praias interessantes. Como o Macanudo é um Micro Racer 19, com leme e bolina retrátil, costumo navegar até em sangas!
     É o caso do pequeno arroio,  na foto em baixo:  apesar da maré estar muito baixa, pude fundear a uns 300 metros da costa. Pelo reflexo do céu, nota-se que não há corrente de água, devido ao assoreamento e à falta de chuva.
Foz de arroinho, no Passinho, São José do Norte, RS



                                                               Sol intenso a pino
  A localidade do Passinho, está localizada ao Sul da Capivaras.  
   O arroinho tem como coordenadas:
   S-31°53'33,9" W-052°02'49,1" 
     Está daqui de  Rio Grande, próximo a três horas de viajem.
   Aos olhos de muitos, pode parecer um lugar comum e/ou inexpressivo. Há que se ter em conta que temos companheiros e leitores conhecedores de lugares  fantásticos, no Estado, no País e no Mundo. Também há que se entender que sou um senhor na senilidade, simplório e como criança, fica embevecido  diante do lugar, ato ou objeto por mais singelo que seja. 
  
     


quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

EU E MARLEY

                                      EU E MARLEY

     
     Pois eu pensava e falava que gostaria de ter um cãozinho para velejar comigo em meus passeios domésticos. Teria, então, com quem conversar. Pesquisava em sites, rondava por onde teria um que fosse "a minha cara". Assim, se passaram vários meses. Com o decorrer do tempo essa fixação aumentava mais e mais.  Minha esposa me criticava a tal ponto que eu pesquisava às escondidas dela. Dizia-me que eu estava "procurando sarna pra me coçar", que um cachorro só serviria pra atrapalhar, que já tínhamos três cadelas no canil  e por aí, afora...
     De fato, há que se pensar que um cãozinho, principalmente ainda bebê, precisa de cuidados especiais, principalmente em alimentação mais frequente e consequentemente mais excreção e a bordo de um barco e pequeno que nem o meu (Micro Racer 19) as dificuldades são ainda maiores. Mas isso e muito mais, não foi considerado em nossa fantasia que se constituia em velejar, nadar, embarcar e até ensinar ele a ajudar a pilotar.
     Esse preâmbulo poderia se estender por muitas linhas o que seria cansativo e talvez repetitivo e desnecessário.
     Dia 8 de novembro do ano passado, eu e a Adriana (minha esposa) estávamos vendo TV, tomando um chimarrão, quando chegou meu cunhado. Eram umas 22:00 horas. Trazia no colo, um cachorrinho pequeno.
     Antes de prosseguir, tenho que relatar que dias antes, meu cunhado havia ganhado uma cachorrinha baia, (não lembro a raça). Quase que a pedi mas consegui me conter.
     Quando meu cunhado chegou, achei que ele trazia ao colo, a cachorrinha. Imaginei que ele talvez estivesse vindo me presentear. Mais uma vez me contive mas a expectativa e a curiosidade eram grandes.
     O tempo passava e eu não conseguia elucidar porque ele tinha vindo com aquela cachorrinha em minha casa, até porque ele não é de me visitar com frequência.
     Depois de uma meia hora ele anuncia que vai embora. Ainda com a cachorrinha no colo. Nisso, a Adriana vai até ele, toma a cachorrinha nos braços, vem a mim  e diz:
     -Este é o teu presente pelo teu aniversário, amanhã. É um cachorrinho Labrador. Porisso, que eu não queria que adquirisses. Eu queria te dar, de aniversário!
     Quem apostou que eu chorei, acertou. Neste momento, enquanto narro, a emoção ainda toma conta de mim.
Poucos minutos após ter ganho o cachorrinho


Por aqui, começa...

...minha bobice

      Que nome colocamos nele? Como disse acima, a cachorrinha era baia. Ou seja o cachorrinho era baio. Como vimos recentemente o filme  " Marley e Eu", de imediato e apropriadamente o chamamos de Marley.
Marley, dois dias depois
     Por onde eu andava carregava o Marley no colo. Dia 8 de novembro ele tinha 44 dias. Com 49 dias o pesamos e ele tinha 4,5 kg. Doze dias depois, 8,5 kg e mais doze dias, 12,5 kg. Ou seja: a cada 12 dias ele aumentava 4 kg. Hoje ele está com 3 meses e 19 dias. Não o pesamos mais ( pesávamos por ocasião das vacinas) mas estimo que esteja próximo aos 20 kg.
    

Marley, 33 dias depois e depois de ter abrido e fuçado num poço de água servida
    
   Mais ou menos um mês depois,    comecei a levá-lo comigo em minhas velejadas domésticas. Lembro que na primeira viagem, velejei até à costa de São José do Norte, na localidade do Retiro. Ali,  fundeei, indo com Marley no colo, até à margem, para que ele se aliviasse. Na volta, após revolver-se na areia, entrei na água com ele caminhando atrás  de mim. Quando chegou n'água, parou, colocou uma patinha e retirou. Colocou outra patinha e retirou. Em seguida, colocou novamente uma e depois a outra patinha e foi entrando n'água. Percebia-se que estava gostando muito. Aos poucos, foi ficando mais fundo e ele começou a nadar. Deixei que nadasse alguns segundos e o coloquei no colo até o Macanudo. Esse foi o batismo do Marley, o Marinheiro.
     Outro dia, estava arrumando o barco, após uma velejada. O barco estava atracado de proa para o trapiche e bastante perto, uns 25 cm, devido a aragem presente o ter assim aproximado. Não vi quando Marley saiu do barco. Só vi quando ele choramingou na proa. Ele estava com as patas traseiras no trapiche e as dianteias na proa do barco. Antes que ele pudesse lançar-se, com seu movimento, a brisa ausente e apesar de seu pouco peso, o barco começou a afastar-se de trapiche. Corri, e ele todo espichado. Não deu tempo. Caiu n'água. Com o tombo, desapareceu até ressurgir nadando em direção ao trapiche, quando o agarrei pela coleira.
     Noutra feita, após uma bela velejada, antes de atracar, resolvi nos banharmos na Lagoa, próximo à margem, por ser raso e por segurança. Entrei n'água carregando o Marley no colo. O soltei e ele começou a nadar em minha volta. Alguns minutos depois o recoloquei no Macanudo e fiquei banhando-me. Ele manifestou a vontade de voltar. assim que o chamei, lançou-se à água sem nenhum temor.
     E assim, temos feito boas velejadas. Ensinei-o a não pegar nenhum cabo no convés, bem como a manter-se na cabine, quando mandado.
       Futuramente, postarei mais fotos dele a bordo.
       Parece que o motivo desta narrativa é  fútil. Entretanto, amigos vêm me cobrando novas publicações no blog. Ademais, a corujice de mim para com o Marley, me leva a divagar, inspirar-me sem entretanto, fugir da verdade.