quarta-feira, 29 de maio de 2013

Macanudo e a Chácara: Acaso?

                                       Macanudo e a Chácara: Acaso?

     Contava a amigos um caso interessantíssimo ocorrido comigo e nosso veleiro Macanudo, quando me ocorreu que a narrativa se encaixaria perfeitamente no blog do Macanudo. Provavelmente o relato mais surpreendente e cativante de nosso blog. Cada leitor terá uma opinião diferente para o fato. Eu particularmente aprendi  que não existe "por acaso" e sim, "por causa".  

    Voltávamos de uma velejada de 4 dias, de retorno da Ilha do Contrabandista, localizada na Foz do Rio Piratini, no Canal São Gonçalo, RS,  em flotilha composta pelos veleiros Aragano, Gaudério, Macanudo, Patinho e Spoker, dos comandantes João Abraão, José Ribeiro, Adão, Daniel e Ventura, respectivamente.
Ilha do Contrabandista
 
 
 
                                      Da esquerda para direita:Aragano, Gaudério, Spoker, Macanudo e Patinho

     Dia 12 de janeiro de 2012, após pernoite no Iate Clube de Pelotas, saímos a motor no Arroio Pelotas e assim fomos  até próximo à Barra, devido à calmaria reinante naquela manhã.  Não recordo em que momento içamos velas, mas lembro que o vento era do Este ou do Este-sudeste . Os veleiros Aragano e Gaudério tomaram a dianteira, distanciando-se umas 2 milhas. Era próximo ao meio-dia quando o vento bruscamente  mudou para o Sudoeste e aumentando de intensidade, a qual atribuímos uns 70 a 80 km/h. Baixamos as velas e rumamos para a costa afim de minimizar a intensidade do vento pois estávamos entre a Ponta do Arraial e a Ilha dos Marinheiros.
     No início do vendaval, o veleiro Spoker tinha se distanciado uns 600 metros do Macanudo e do Patinho. Por isso as minhas manobras e as do Daniel  foram semelhantes e nos mantivemos próximos um do outro. Após uns 50 minutos com as águas abrigadas pela costa, agora na localidade da Marambaia (parte da Ilha dos Marinheiros a Leste) encontramos o veleiro Spoker do Renato. Mais adiante, a Leste de onde estavam havia um trapiche. Convidamos o Renato para irmos pra lá e prepararmos um almoço. Assim fizemos. Atracamos no trapiche e demos início ao almoço. Nisso, chega pelo trapiche um pescador.
Trapiche da Marambaia, onde atracamos
      
O trapiche, Macanudo e Spoker ao fundo




O Daniel que tem casa na Marambaia conhecia ele.
     Então disse: -  Adir: Podias nos substituir duas latinhas de cerveja que temos a bordo por duas geladas?
     O homem nem respondeu. Deu meia volta e daí a pouco surgiu com duas latinhas de cerveja geladas.
     Fizemos a troca, ele sentou no trapiche e enquanto comíamos, conversávamos

Adir,  homem das latinhas

     Após o almoço, saímos motorando  contornando a costa, em direção a Rio Grande. E assim termina esta parte do relato.
    Em julho desse mesmo ano em passeio à Ilha da Marambaia, visitei meu amigo Daniel, agora Comandante do veleiro Quindão ( Um Pinguim 12 de pés). Depois de me mostrar duas casas à venda, uma a uns 300 metros da Lagoa dos Patos e a outra à margem, fiquei muito entusiasmado. Não tive muito interesse na casa mais distante, pois meu interesse era de chegar pela Lagoa dos Patos e a casa o mais perto possível.
      A casa mais próxima, na verdade, não estava à venda.
     Saí em pesquisa e assim descobri pela internet uma chácara à venda na Marambaia. O anúncio mostrava a localização em uma foto do Google Map. Transpus as coordenadas para meu GPS e fui ver o terreno. Quando cheguei no ponto, parei e vi um senhor que estava chegando em sua propriedade, ao lado. Chamei-o.
     -Por favor, amigo. Sabe me dizer onde é o terreno à venda?
     -O amigo parou dentro dele.
     O  terreno era ao lado do dele. Fiquei constrangido de pedir-lhe que me mostrasse.
     Para que ele fosse ficando à vontade, fui me apresentando, dizendo que era amigo do Daniel, que éramos companheiros de velejadas e assim por diante.
     Ele comentou:
     -Um dia, o Daniel esteve abrigado no trapiche daqui, quando eu lhe troquei duas latinhas de cerveja geladas. Ele estava com um amigo. Era você?
     Pronto! Estava quebrado o gelo inicial. O constrangimento em pedir que me mostrasse o terreno desapareceu e ele solicitamente me mostrou me colocando a par de situações locais, etc. e tal.
     Comprei o terreno (ver postagem A chácara e o Veleiro Macanudo)
Veleiro Macanudo, atualmente atracado no mesmo trapiche
 
     Hoje, esse trapiche, a costa, nesse exato ponto onde nos abrigamos em janeiro desse mesmo ano, é a porta de chegada da Lagoa dos Patos   para   a minha chácara.
Porta da Chácara para a Lagoa dos Patos
    
Entrada para a chácara
     
 O homem das latinhas de cerveja é meu vizinho lindeiro e temos uma boa amizade.
     Como disse acima, cada leitor dará uma interpretação pessoal ao que aparenta ser coincidência. Repito que acredito não no "por acaso" e sim no " por causa". Creio que seja o resultado pelo  convívio frequente de  atividades, pessoas, lugares gerando  uma simpatia e  aproximação entre si.
      

 
    

    
    
    
     
 
 



 


 

segunda-feira, 27 de maio de 2013

EU E MARLEY II

                                    EU E MARLEY II

 Está difícil de cumprir com a promessa de nova postagem sobre as peripécias do Marley, principalmente de fotos dele a bordo, porque à razão em que ele cresceu foram aparecendo dificuldades de navegar com ele. Por outro lado, tem amigos que gostariam de seguir sua evolução.                                                                                                                                                                                                                                                                        A princípio o Marley não é um cão peralta. Considero seu temperamento ações e reações  normais em um cachorro de 8 meses.Temos que ter paciência com algumas coisas que ele faz. Por exemplo: quando temos que deixá-lo  sozinho em casa, fica em parte do terreno dos fundos, onde temos alguns arbustos.

    
 


Ao fundo maracujazeiro. O Marley roeu os troncos junto ao chão.
 
Um dia ao chegarmos, encontrei espalhados pelo pátio os galhos do maracujazeiro, cortados rentes ao pé! Fazer o quê? Briguei, xinguei mas não bati. Bater em quem fez alguma arte, criança ou animal, não é corrigir e sim ir à forra, cobrar o preço do dano.
Ele ficou muito chateado, baixando a cabeça e rastejando como pedindo desculpas mesmo que transparecesse que não tinha o menor conhecimento do que se tratava. Bastou-me essa atitude. Ele estava arrependido, mesmo sem saber porque!
     Depois, noutro dia, liquidou com um pé de Jiboia Gigante que se vê na foto, atrás do maracujazeiro, no canto. Mesma ação e mesma reação.
     Mas como disse, é um cão normal. Vejam outro exemplo, agora positivo: Temos o hábito de enquanto tomo café, de dar-lhe pão, bolacha ou o que estiver comendo. Não precisa mais se recomendar para que saia para fora de casa para comer. O incrível é que quando esquecemos de abrir a porta, ele volta e fica quieto, olhando-nos com o pão dentro da boca, sem mastigar.
     A última vez que velejei com Marley, ao desembarcar do Macanudo, coloquei uma tábua, da proa ao trapiche, de uns 120 cm, para que ele descesse. Quando chegou ao meio, a tábua se inclinou e o Marley se foi à água. Como eu estava segurando-o pela guia, consegui, depois de muito esforço, agarrando-o pelas patas dianteiras, içá-lo para o trapiche.
     Isto aconteceu há uns dois meses atrás. Ele estaria com uns 30 quilos. Atualmente, está com uns 40 quilos e nesse caso, se cair n'água, acredito que seria quase impossível de erguê-lo para bordo.
      Vivo um momento de incerteza. Queria tanto um cão para me fazer companhia nas minhas velejadas até que minha esposa me presenteou com o Marley. Até à queda da prancha de madeira, estava tudo indo muito bem. A partir daí, sempre que velejo, ele fica em casa, nos fundos. Ainda bem que ele tem a companhia de uma cachorrinha de 13 anos de idade a qual ele não dá sossego.
      Mesmo que tenha fugido um pouco dos propósitos do nosso blog, afim de cumprir com a expectativa de amigos que gostaria de rever algo sobre o Marley, penso que valeu a pena.
     Diante do cumprimento do dever de informar estou me transformando num escritor de livre e espontânea vontade dos nossos visitantes do blog.
     Sou homem pouco letrado e escrevo por força de vontade. Portanto, quando depararem com erros de ortografia sintaxe e outras "cositas más", não reparem...
 

Marley com 1 mês e poucos dias de vida

                                     

                          Minha esposa Adriana em mimos com Marley                                      
                                                                                                                                                                                                                  
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

domingo, 5 de maio de 2013

OS PÉS

                                             OS PÉS

    Impressionante como nossos conceitos mudam, com o passar do tempo. Alguns diriam que seria por personalidade fraca, outros que seria porque o sujeito é um "maria-vai-com-as-outras".
    Penso que o que evoluimos dia a dia nos faz repensar, rever nossas atitudes passadas e regozijarmo-nos com os acertos e se possível, reparar nossos erros.
    Meus  amigos dizem que sou obstinado, que não aceito opinão, que sou "maniático". Apesar da minha natural flexibilidade, não posso concordar com eles. Afinal, também sou "opiniático". Eles sabem perfeitamente, que penso o mesmo deles. Porisso, damos belas risadas em sabermos que fofoqueamos uns dos outros estando presente ou não, sem ferir susceptibilidades, graças à mútua lealdade.
    O acima exposto serve de preâmbulo ao assunto em foco.
   Há 3 anos, quando comecei a velejar, num O'Day 12, acumulei 136 horas de vela. O que sabia, era o bê-a-bá da arte.
Em seguida, Adquiri um Vaqueiro 16 navegando nele 556 horas. No mínimo, para evitar delongas, a mudança se deu em planejar percursos mais longos, viajens com pernoites e refeições a bordo.
    Atualmente, com um Micro Racer 19, me aventuro a viajens mais longas, seguidamente navegando no Canal São Gonçalo e culminando com ida à Jaguarão.
    Para tanto, senti a necessidade de ter a bordo GPS e piloto automático e atualmente o Macanudo está provido com sonda.
    Por aí, se vê que muita coisa mudou e que tive que formatar nova concepção quanto à arte de velejar. E um amigo que tem um barco de 26 pés disse-me que somente agora reconhece o que é  velejar. 
   Alguns leitores já devem ter notado que o termo pés foi citado frequentemente e por acaso, coincide com o título. Essa coincidência não é por acaso e sim, por causa.
    O que pretendo estabelecer aqui, é que o conceito muda conforme muda o tamanho do barco ou em outras palavras, o velejador pensa com os pés.
       Apesar de reconhecer em mim um certo egoismo e gostar um pouco de solidão, sempre me esforcei em ter um espírito de coletividade. Então, se saimos juntos, não importa quantos, para uma velejada, meu senso de companheirismo me diz que devemos sair, chegar e regressar juntos.
      É lógico que numa viagem, digamos, de 2 veleiros cada um deles terá uma velocidade de casco diferente do outro. Então, se  o percurso é longo, o mais veloz se distanciará do mais lento. Assim, um veleiro de 33 pés tem uma velocidade de casco de aproximadamente 8 nós; um veleiro de 19 pés, tem em torno de 6 nós. Numa viagem de Rio Grande a Pelotas, em condições favoráveis, o primeiro faria o trajeto em 4 horas e 10 minutos e o segundo, em 6 horas e 15 minutos. São praticamente 2 horas de diferença entre embarcações.
Logicamente que se a viagem for idealizada entre ambos, está implícito que chegarão ao destino, mais ou menos próximos, Mas , se for programado em grupo ou entidade, formando-se flotilha, haverá uma “corrida” onde os maiores chegarão primeiro e os menores por último. Evidentemente não está em discussão, a perícia e o traquejo na condução das embarcações, bem como, não me referi à área vélica nem à dinâmica do barco (se de regata ou de cruzeiro).
     Isso me faz raciocinar, que em três anos de vela, mudei de pensamento e comecei a perceber que os amigos velejadores vão acumulando "calos" adquiridos ao longo dos anos, um pouco pensando com os pés, outro pouco agindo sob os efeitos de desigualdades, não sendo tão importante andar junto, nem sequer, perto uns dos outros.
     Em assim sendo, em postagem deste blog no ano passado, mostro um  certo ressentimento nesse sentido. Esse ressentimento hoje reconheço, foi mais fruto da  minha inexperiência, do meu egoismo ,  do meu preconceito do que verdadeiramente outro procedimento.
     Para finalizar e contrariar, particularmente, eu gostaria que fosse diferente.
    
    
   
 
Abrigo na Ilha Grande, São Gonçalo
    
Pôr-do-Sol, Foz do Rio Jaguarão