Entre Altos e Baixo
O título parece a princípio fora do contexto do blog. Entretanto, no decorrer da narração ele irá se encaixando aos poucos.
Carnaval de 2012, 18 de fevereiro, sábado, por volta dás 10:00 hs, zarpamos do Grupo de Escoteiros Almirante Abreu, Rio Grande, RS, rumo a Pelotas. Ficamos ao largo, velejando enquanto o veleiro Patinho, do Cmte. Daniel e o Aragano, do Cmte. João Abraão aprontavam-se para sair.
No Macanudo, estavam comigo, minha esposa, a Adriana e minha enteada, a Fernanda.
Às 10:50 hs empreendemos nossa viagem. Ventos fracos do NE, atingindo 3,3 nós de velocidade média. O Daniel, orçando estava dentro do canal para Porto Alegre. O Macanudo em paralelo mais a bombordo do Patinho e o Aragano, navegando mais próximo à costa. Porisso, corria o risco de encalhar. O Aragano é um Delta 21, com bolina retrátil, porém, com bulbo.
Não deu outra: o João teve que bordejar, em direção ao canal, justamente junto à boia 22, do Diamante.
Eu e o Daniel jogamos ferro a uma profundidade segura e fomos ajudar a desencalhar o Aragano. Estava a uma profundidade de 40cm, aproximadamente. Tivemos bastante dificuldade em retirá-lo, deixando para trás, dois sulcos feitos na areia; um do bulbo e outro do motor, cuja ajuda não dispensamos.
momento após o desencalhe do Aragano
João chegando com o vinho -ao fundo, o Aragano
almoço às 14:56 horas. Ao fundo Daniel e Patinho
Enquanto tratávamos da operação de desencalhe, a Adriana preparou e aprontou um camarão com abóbora e arroz branco que havia descascado enquanto velejávamos. Aguardamos pela chegada do João, trazendo o vinho e pelo Daniel para começarmos a almoçar, já em torno dás 14 horas. O Daniel não quis almoçar pois ficou apreensivo porque havia água dentro da gabine e ele não sabia por onde teria entrado.
Almoçamos, agora com pouca vontade. Às 15:00 hs o Daniel preferiu retornar a Rio Grande e o João o acompanhou. Nós seguimos para Pelotas. Quando estávamos passando à boia 23, do Mosquito, surgiram rajadas fortes de vento SW, após uma viração brusca, inclusive de temperatura.
Arriamos a mestra e genoa e motoramos em direção à costa da Ilha da Torotama, onde costeamos por umas 2 mn, até nos amarrarmos num pau de atracação para pernoitarmos. As condições nesse momento eram menos severas, mas por estarmos com a esposa e a enteada, optamos por descansar e prosseguir no outro dia.
Nesse dia navegamos durante 6 horas e percorremos 17,6mn, com velocidade média de 3,2kt e pico de 6,2kt.
Arco-íris , duplo, após a viração de tempo
Pôr-do-Sol na costa da Ilha da Torotama
Dia 19, domingo, às 08:00 hs continuamos nossa viagem, ainda com vento do SW porém moderado.
Assim, sem outros incidentes entramos no Arroio Pelotas, para que a Adriana e a Fernanda o conhecesse. Diga-se, a bem da verdade, que adoraram navegar no Arroio Pelotas, tanto pela paisagem quanto pela tranquilidade.
Sem pararmos, retornamos ao Canal São Gonçalo e atracamos em uma prainha de areia que havíamos notado na ida, com o fito de almoçarmos. Quando nos preparávamos para um pequeno churrasco, eis que surgem o Aragano e o Patinho para nos fazer companhia no almoço. Em síntese, não chegaram a voltar para Rio Grande, pois em exame mais detalhado da infiltração na cabine do Patinho o Daniel concluiu que vinha de dentre o convés e o casco, quando as ondas passavam por sobre o convés. Portanto, nada de grave. Em sendo assim, resolveram pernoitar nas Capivaras e seguir viagem no outro dia para Pelotas.
Daniel, Macanudo e Aragano
Almoçamos, com uma bela tarde de sol escaldante e pouco ar circulante. Logo em seguida, levantamos ferro e iniciamos nosso retorno a Rio Grande.
Motoramos umas 12 mn, sem vento algum, tempo abafado, com um calor próximo a 37 graus, tendo que nos molharmos a todo instante. Nisso, o Daniel passa por mim e diz:- Tá levantando vento! Eu pensei: "que bom! afinal, vamos velejar." Icei a genoa e quando estava com a mestra já levantada, sem ainda ter mordido a adriça, o vento apareceu subitamente forte. Acredito que por volta de 40 kn. Arriei a genoa e a Adriana derreou-se na mestra, até à cabine e meta motor àvante, a toda aceleração! Avante, no contravento. Não esperávamos que o motor não avançaria. Muito pelo contrário: o Macanudo andava de ré. Por infeliz coincidência, nesse momento, passava pelo canal uma chata. O Macanudo, sendo arrastado pelo SW para dentro do canal e de encontro com a chata. Instintivamente, dei leme a BB, procurando num giro de 180 graus, um bom andamento e continuar o giro mais uns 50 graus, de maneiro que recebia o vento de bochecha do BB. Assim, de forma pouco recomendável, saíamos do canal, pegando as ondas de bochecha e través, de certa forma a barlavento, em direção à costa, e consequentemente ao Saco do Silveira, onde havia mais calma. Tudo durou 50 minutos. A maior dificuldade encontrada foi minha esposa em , sentada em frente à gauita, agarrada a cabos próximos a ela, em pânico e penso que em estado de choque. A Fernanda, dentro da cabine sem que eu soubesse como estava. Enquanto eu pilotava o Macanudo, que mais parecia um potro selvagem, falava e dizia que estávamos próximos à costa, que faltavam 5 minutos para chegar, etc etc...
Após os 50 minutos, o Macanudo encostou no fundo a bolina, que estava arriada uns 50 cm. Recolhi a bolina e joguei âncora, desligando o valente Johnson 3,3 hp!
Tudo isso, acompanhado de chuva intensa.
A Adriana, ensopada, tremendo muito, a custo, consegui fazer com que descesse. Tirou a roupa molhada e enrolou-se num cobertor de lã, enquanto preperei um café bem quente.
Rumamos para a costra da Ilha da Torotama, para pernoitar e por acaso, nos amarramos no mesmo pau em que tínhamos pernoitado no dia anterior.
Graças a Deus, estávamos agora, com tudo sob controle. Restava saber, que haveria acontecido com o Patinho e o Aragano.
Soubemos por pescadores, que tinham avistado dois veleiros fundeados, próximo ao canal, na direção NE. Nais tarde, antes do anoitecer, conseguimos divisar dois veleiros, próximos ao Saco do Silveira, fundeados.
Foram percorridas 30,2 mn durante 8 horas, com velocidade média de 3,6kn e máxima de 6,2kn.
Segunda-feira, acordamos cedo e motoramos em direção aos veleiros. Aos poucos fomos reconhecendo neles, o Patinho e o Aragano. Quando chegamos, o Daniel e o João preparavam-se para levantar âncoras, depois do café.
Macanudo amarrado na popa do Patinho, depois do temporal
Simultaneamente ao que narramos, quando o temporal se apresentou, soubemos do João e do Daniel que diante da incapacidade dos motores dos barcos de irem àvante, preferiram fundear ali mesmo e esperar que os ventos fortes passassem. Entretanto, o pior passou o João, pois jogou a âncora, de forma que o cabo veio a enredar-se com o bulbo da bolina, fazendo com que o barco ao invés de se aproar para o vento, postou-se de través.
Ainda com vento SW, moderado, rumamos para Rio Grande, sem nenhum incidente que merecesse destaque.
Nesse dia foram percorridas 13,8 mn em 5 horas e com velocidade média 2,9kn e 5,7kn instantâneos.
Tudo isso, acompanhado de chuva intensa.
A Adriana, ensopada, tremendo muito, a custo, consegui fazer com que descesse. Tirou a roupa molhada e enrolou-se num cobertor de lã, enquanto preperei um café bem quente.
Rumamos para a costra da Ilha da Torotama, para pernoitar e por acaso, nos amarramos no mesmo pau em que tínhamos pernoitado no dia anterior.
Graças a Deus, estávamos agora, com tudo sob controle. Restava saber, que haveria acontecido com o Patinho e o Aragano.
Soubemos por pescadores, que tinham avistado dois veleiros fundeados, próximo ao canal, na direção NE. Nais tarde, antes do anoitecer, conseguimos divisar dois veleiros, próximos ao Saco do Silveira, fundeados.
Foram percorridas 30,2 mn durante 8 horas, com velocidade média de 3,6kn e máxima de 6,2kn.
Segunda-feira, acordamos cedo e motoramos em direção aos veleiros. Aos poucos fomos reconhecendo neles, o Patinho e o Aragano. Quando chegamos, o Daniel e o João preparavam-se para levantar âncoras, depois do café.
Macanudo amarrado na popa do Patinho, depois do temporal
Simultaneamente ao que narramos, quando o temporal se apresentou, soubemos do João e do Daniel que diante da incapacidade dos motores dos barcos de irem àvante, preferiram fundear ali mesmo e esperar que os ventos fortes passassem. Entretanto, o pior passou o João, pois jogou a âncora, de forma que o cabo veio a enredar-se com o bulbo da bolina, fazendo com que o barco ao invés de se aproar para o vento, postou-se de través.
Ainda com vento SW, moderado, rumamos para Rio Grande, sem nenhum incidente que merecesse destaque.
Nesse dia foram percorridas 13,8 mn em 5 horas e com velocidade média 2,9kn e 5,7kn instantâneos.
Daniel e o Patinho
João Abraão e o Aragano