domingo, 5 de maio de 2013

OS PÉS

                                             OS PÉS

    Impressionante como nossos conceitos mudam, com o passar do tempo. Alguns diriam que seria por personalidade fraca, outros que seria porque o sujeito é um "maria-vai-com-as-outras".
    Penso que o que evoluimos dia a dia nos faz repensar, rever nossas atitudes passadas e regozijarmo-nos com os acertos e se possível, reparar nossos erros.
    Meus  amigos dizem que sou obstinado, que não aceito opinão, que sou "maniático". Apesar da minha natural flexibilidade, não posso concordar com eles. Afinal, também sou "opiniático". Eles sabem perfeitamente, que penso o mesmo deles. Porisso, damos belas risadas em sabermos que fofoqueamos uns dos outros estando presente ou não, sem ferir susceptibilidades, graças à mútua lealdade.
    O acima exposto serve de preâmbulo ao assunto em foco.
   Há 3 anos, quando comecei a velejar, num O'Day 12, acumulei 136 horas de vela. O que sabia, era o bê-a-bá da arte.
Em seguida, Adquiri um Vaqueiro 16 navegando nele 556 horas. No mínimo, para evitar delongas, a mudança se deu em planejar percursos mais longos, viajens com pernoites e refeições a bordo.
    Atualmente, com um Micro Racer 19, me aventuro a viajens mais longas, seguidamente navegando no Canal São Gonçalo e culminando com ida à Jaguarão.
    Para tanto, senti a necessidade de ter a bordo GPS e piloto automático e atualmente o Macanudo está provido com sonda.
    Por aí, se vê que muita coisa mudou e que tive que formatar nova concepção quanto à arte de velejar. E um amigo que tem um barco de 26 pés disse-me que somente agora reconhece o que é  velejar. 
   Alguns leitores já devem ter notado que o termo pés foi citado frequentemente e por acaso, coincide com o título. Essa coincidência não é por acaso e sim, por causa.
    O que pretendo estabelecer aqui, é que o conceito muda conforme muda o tamanho do barco ou em outras palavras, o velejador pensa com os pés.
       Apesar de reconhecer em mim um certo egoismo e gostar um pouco de solidão, sempre me esforcei em ter um espírito de coletividade. Então, se saimos juntos, não importa quantos, para uma velejada, meu senso de companheirismo me diz que devemos sair, chegar e regressar juntos.
      É lógico que numa viagem, digamos, de 2 veleiros cada um deles terá uma velocidade de casco diferente do outro. Então, se  o percurso é longo, o mais veloz se distanciará do mais lento. Assim, um veleiro de 33 pés tem uma velocidade de casco de aproximadamente 8 nós; um veleiro de 19 pés, tem em torno de 6 nós. Numa viagem de Rio Grande a Pelotas, em condições favoráveis, o primeiro faria o trajeto em 4 horas e 10 minutos e o segundo, em 6 horas e 15 minutos. São praticamente 2 horas de diferença entre embarcações.
Logicamente que se a viagem for idealizada entre ambos, está implícito que chegarão ao destino, mais ou menos próximos, Mas , se for programado em grupo ou entidade, formando-se flotilha, haverá uma “corrida” onde os maiores chegarão primeiro e os menores por último. Evidentemente não está em discussão, a perícia e o traquejo na condução das embarcações, bem como, não me referi à área vélica nem à dinâmica do barco (se de regata ou de cruzeiro).
     Isso me faz raciocinar, que em três anos de vela, mudei de pensamento e comecei a perceber que os amigos velejadores vão acumulando "calos" adquiridos ao longo dos anos, um pouco pensando com os pés, outro pouco agindo sob os efeitos de desigualdades, não sendo tão importante andar junto, nem sequer, perto uns dos outros.
     Em assim sendo, em postagem deste blog no ano passado, mostro um  certo ressentimento nesse sentido. Esse ressentimento hoje reconheço, foi mais fruto da  minha inexperiência, do meu egoismo ,  do meu preconceito do que verdadeiramente outro procedimento.
     Para finalizar e contrariar, particularmente, eu gostaria que fosse diferente.
    
    
   
 
Abrigo na Ilha Grande, São Gonçalo
    
Pôr-do-Sol, Foz do Rio Jaguarão
 
     
 
 
 

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